O POEMA
AZUL
Quantifico o meu desejo
por ti, amada minha,
Pela cor do azul que
não me atrevo a revelar,
Ver-te com ele foi ter
o mar por entre os dedos,
Tocar-te, sentir-te, e
não te amar.
Espero o nosso tempo.
Eu pude tê-la,
E, no entanto, não a
quis na hora inquieta;
E como consome-me agora
este tormento,
Beijar tua boca. Sentir
teu cheiro. Tortuosa espera.
Eu e tu, meus olhos
sobre os teus te suplicando
Amor e carne, o fogo e
o sangue dos desejos!
Os pequenos seios
apertados em meu peito,
Ah! Vastidão devassa de
meus ressentimentos!
Sei que amanhã, depois
talvez, não mais que um dia,
Eu vou amar-te e tu a
mim, hora de esteira;
E eu vou beijar teu
ventre e com os meus dentes
Despir-te-ei no mar
azul da tua última fronteira.