sexta-feira, 27 de abril de 2012

O POEMA AZUL


Quantifico o meu desejo por ti, amada minha,

Pela cor do azul que não me atrevo a revelar,

Ver-te com ele foi ter o mar por entre os dedos,

Tocar-te, sentir-te, e não te amar.

 
Espero o nosso tempo. Eu pude tê-la,

E, no entanto, não a quis na hora inquieta;

E como consome-me agora este tormento,

Beijar tua boca. Sentir teu cheiro. Tortuosa espera.


Eu e tu, meus olhos sobre os teus te suplicando

Amor e carne, o fogo e o sangue dos desejos!

Os pequenos seios apertados em meu peito,

Ah! Vastidão devassa de meus ressentimentos!

 
Sei que amanhã, depois talvez, não mais que um dia,

Eu vou amar-te e tu a mim, hora de esteira;

E eu vou beijar teu ventre e com os meus dentes

Despir-te-ei no mar azul da tua última fronteira.   

(by Alex R. Brondani)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

QUANDO A CHUVA CHEGA

Quando a chuva chega, finalmente,
Na tarde que prometia temporais,
A cidade se abriga nas marquises
E os bueiros transbordam mananciais;

Nos umbrais alguns olhares se confundem
Com o vai e vem de guarda-chuvas tristes,
Que se armam num prelúdio de combate,
Pontais aos céus, balaústres em riste;

Quando a chuva chega, finalmente,
A angústia de sua espera se revela,
E as flores reflorescem, as folhas reverberam,
E tudo se remoça em aquarelas.

Quando a chuva chega, simplesmente,
Na sua presença a alma se desenha,
E quando ela se vai, ficam os sonhos,
Que alma e água são faces da mesma esência.

(alex brondani)

terça-feira, 22 de julho de 2008

CAMINHOS

Se os caminhos que me levam adiante
Soubessem voltar,
Talvez eu fosse como o mar
Batendo inconstante nos rochedos.

Se os caminhos que desenham os horizontes
Me revelassem seus desejos,
Eu saberia chegar por seus segredos.

Talvez se os caminhos que me levam adiante
Conhecessem a essência das estradas,
Assim seria mais fácil a minha jornada
Na busca que impetro pelos sonhos.

Mas meus caminhos,
Eles não conhecem meu destino,
Me levam simplesmente pela estrada,
E neles, minha vida por seguir, se despedaça.

(alex brondani)

sábado, 19 de julho de 2008

O AVESSO DO SONETO

O vento seco na janela
Traz um frio de primavera
Que não pensei em sentir.

As estações mudam como querem:
Num dia outono, noutro verão,
E que se entenda o coração.

Pensei que era apenas primavera,
Mas na varanda as folhas mortas,
Caídas à beira da porta,
Já anunciam aquarelas.

E já nem sei como olhar o tempo,
Que todo o dia se revela uma surpresa,
Como a vida, que nos momentos de aspereza,
Se espelha em versos no avesso de um soneto.

(alex brondani)