sábado, 19 de julho de 2008

O AVESSO DO SONETO

O vento seco na janela
Traz um frio de primavera
Que não pensei em sentir.

As estações mudam como querem:
Num dia outono, noutro verão,
E que se entenda o coração.

Pensei que era apenas primavera,
Mas na varanda as folhas mortas,
Caídas à beira da porta,
Já anunciam aquarelas.

E já nem sei como olhar o tempo,
Que todo o dia se revela uma surpresa,
Como a vida, que nos momentos de aspereza,
Se espelha em versos no avesso de um soneto.

(alex brondani)

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